Bom, em primeiro lugar, vamos ao que o ecumenismo não é:

– União de todas as Igrejas em uma única forma institucional;
– Anulação da identidade confessional;
– Uma estratégia para a dominação de certas igrejas.

De fato, ele é:

– Um ato de humildade. Nenhuma expressão religiosa pode ter o orgulho de ser a verdadeira e única expressão da revelação de Deus e detentora das manifestações do Espírito;
– A valorização de tudo o que já une as diferentes igrejas;
– A criação de laços de afeto fraterno entre as igrejas;
– A oração em comum a partir da fé básica;
– A busca sincera de caminhos para curar as feridas da separação.

O sermão da montanha do diálogo ecumênico e inter-religioso (Paulo César Botas, teólogo católico romano)

– Quando entrares num diálogo inter-religioso, não penses adiantado no que deves crer.

– Quando deres testemunho da tua fé, não te defendas a ti mesmo nem defendas teus interesses concretos, por sagrados que estes possam parecer. Faze como os pássaros do céu, que cantam e voam e não defendem nem sua música nem sua beleza.

– Quando dialogares com alguém, observa teu interlocutor como se tratasse de uma experiência reveladora, como se olhasses – ou deverias olhar –os lírios do campo.

– Quando iniciares um diálogo intra-religioso, procura arrancar primeiro a trava do teu olho antes de tirar a palha do olho do teu próximo.

– Bem-aventurado sejas quando não te sentires auto-suficiente enquanto estiveres dialogando.

– Bem-aventurado sejas quando confiares no outro porque confias em Mim.

– Bem-aventurado sejas quando afrontares incompreensões de tua própria comunidade ou de outros por causa da tua fidelidade à Verdade.

– Bem-aventurado sejas quando mantiveres tuas convicções sem as apresentar como normas absolutas.

– Ai de vós, teólogo e acadêmicos, que desprezais o que os outros dizem porque o considerais incômodo ou não suficientemente “científico”.

– Ai de vós, profissionais das religiões, se não escutais o grito dos pequenos.

– Ai de vós, autoridades religiosas, porque impedis a mudança e a (re)conversão!

– Ai de vós, gente religiosa, porque monopolizais a religião e sufocais o Espírito que sopra onde quer e como quer.