QUEM SOMOS

UM POUCO DA NOSSA HISTÓRIA

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Nossa comunidade nasceu em 26.08.1962 a partir de um pequeno grupo de homens e mulheres destemidos, tomados pelo sonho de uma experiência de fé libertária e amorosa, que se entregaram à construção do que hoje chamamos de IGREJA CRISTÃ DE IPANEMA.

O sonho começou a ser gestado no útero da nossa Igreja Mãe, a Igreja Presbiteriana de Copacabana. Ficara pequena a grande igreja para os delírios de amor do entusiasmado grupo. Queríamos servir em louvor e louvar em serviço. Conscientes ou não, acabamos nos tornando um laboratório eclesial do efervescente começo dos anos 1960.

Naquele mesmo ano de 1962, realizava-se a grande Conferência do Nordeste, fruto de um protestantismo histórico brasileiro amadurecido e disposto a dar respostas às grandes questões políticas, sociais e econômicas do seu tempo. O catolicismo romano vivia sua primavera teológica. O Concílio Vaticano Segundo, dava os primeiros sinais de uma Igreja disposta a atualizar-se, numa reforma semelhante à de Lutero no século XVI.

Banhados por um rio de esperança, os anos 1960 foram despejando suas águas nas marchas de Martin Luther King nos Estados Unidos, nos gritos de liberdade dos estudantes franceses em 68, no nascimento da Teologia da Libertação Latino-americana... Neste mesmo rio banharam-se os fundadores da nossa pequena comunidade reunida no Colégio Nelson e mais tarde à Rua Joana Angélica. Filhos e filhas da Esperança.

Mas, a esperança bíblica jamais foi ou será sinônimo de alienação, muito menos de oba-oba. O caudaloso rio viu-se diante das águas turvas do regime ditatorial, que apequenou a vida, silenciou o brado retumbante, fechou igrejas, amordaçou políticos, perseguiu teólogos, matou e ocultou profetas.A então Igreja Presbiteriana de Ipanema, como nós a chamávamos naquele tempo, abrigou perseguidos, não recuou na esperança, que passou a ter o nome de resistência.

Perdemos nosso grande Pastor fundador, Rev. Jovelino Ramos, exilado nos Estados Unidos, mas não perdemos o sonho. Não perdemos a herança ecumênica por ele deixada nem o antenamento com o tempo presente.

 

A embriaguez da esperança jamais nos deixou. Tanto que quando nos anos 1970 a realidade institucional do presbiterianismo de onde nascemos tornou-se forca para o laboratório da liberdade e do amor que sempre imantaram nossa esperança, vivemos um novo exílio. Abrimos mão da pretensa segurança institucional presbiteriana, para, sob a inspirada direção do Rev. Jonas Rezende, um pastor não menos libertário do que o que emigrara havia uma década, reafirmarmos nossa vocação de sermos, acima de tudo, cristãos. Em 1978 nos demos o nome de Igreja Cristã de Ipanema e elegemos pela primeira vez no Brasil uma presbítera: Leni Gusmão, hoje pastora emérita da ICI.

 

Nos anos 1980 vivemos a riqueza de uma aproximação mais forte entre a nossa fé e a dimensão política da vida. Mais uma vez, Aquele cujo Reino esperamos, nos desafiou a novas experiências no laboratório desta fé inquieta, querendo sempre encarnar-se, querendo sempre projetar-se no presente dando-lhe uma direção, um sentido, um propósito. Provavelmente tenha sido o tempo que mais próximos estivemos de uma experiência comunitária herdeira da Teologia da Libertação. Nosso pastor, Rev. Mozart Noronha, soube nos conduzir nesta aventura não isenta de contradições, como a rigor qualquer aventura, principalmente a da fé.

 

No começo dos anos 1990, vivemos uma divisão no seio de nossa comunidade. A esperança entristeceu-se, mas não recuou. Soube aprender com o luto, soube reinventar-se no seguimento dAquele que faz novas todas as coisas. E aprendemos todos mais uma grande lição: que somos frágeis e para além dos nossos egos está o Espírito que mantém viva a esperança e a nossa unidade. Como alento e novo fôlego para prosseguir nossa caminhada, recebemos o jovem pastor Edson Fernando de Almeida, que esteve conosco por mais de 25 anos e continua conosco como pastor emérito.

 

Nas duas primeiras décadas deste segundo milênio, ainda caminhando junto ao Pr. Edson, perseguimos com força nossa vocação ecumênica. Os pastores Leonardo Amorim e Pedro Vieira Veiga, oriundos, respectivamente, dos seminários Metodista Bennett e Batista do Sul do Brasil, receberam a ordenação pastoral na ICI. Demos os primeiros passos de nossa presença na favela do Vidigal. Presença diaconal que cresce a cada dia, sobretudo através do ensino da arte musical. Ao mesmo tempo, o CREI, nosso Centro de Recuperação Infantil, segue vibrante na vocação de ser um espaço inclusivo e de referência na arte de aprender brincando, de brincar aprendendo.

 

Nestes últimos anos nossa igreja tem sido transformada e tem transformado muita gente nova que tem se achegado ao nosso convívio. Gente preciosa, diversa e sedenta de viver numa igreja sem paredes. O pastor Bruno Oliveira, ex-aluno do Pr. Edson Fernando no Seminário Batista e que encontrou no ministério de capelania a essência da vocação pastoral, aproximou-se nós. Conquistou nosso coração. Tornou-se pastor efetivo da ICI abrindo uma nova página na nossa caminhada.   Também o pastor Samuel de Padua, que também fora aluno do Pastor Edson no Seminário Batista do Sul, chegou-se a nós oferecendo preciosa presença pastoral junto à nossa Congregação no Morro do Vidigal, bem como junto às reuniões de oração que acontecem quinzenalmente nas casas das mulheres da ICI.

 

O Pastor Edson, hoje nosso pastor emérito, no final de 2017, passou num concurso para professor do departamento de Ciência da Religião da Universidade Federal de Juiz de Fora. Mudou-se com a família para terras mineiras.  O pastor Bruno Oliveira continuou em seu lugar e, em 2019, passou a dedicar-se integralmente ao serviço de capelania em diferentes instituições de saúde do Rio de Janeiro.  A convite dos Pastores Bruno e Edson assumiu o pastoreio da ICI o jovem teólogo e filósofo Alexandre Marques Cabral. Incandesceu a comunidade com a largueza do seu espírito ecumênico, com sua presença junto à comunidade de moradores e moradoras de rua que perambulam pelo centro da cidade do Rio de Janeiro, reacendeu na ICI a lembrança das prioridades do Reino. Sobretudo, apontou-nos um seguimento de Jesus construído sobre uma relação de amizade, sem hierarquias, títulos ou subordinações. 

 

Ele mesmo, o Pastor Alexandre, tornou-se um grande amigo.  Nesta amizade seguimos nossa jornada confiantes no Deus que nos chama para sermos parceiros e parceiras do processo criador. 

Bendito Aquele que faz novas todas as coisas!

nossos pastores:

Jovelino Pereira Ramos (1962-1968)

Luiz Pereira Boaventura (1968-1971)

Abimael Etz Rodriguez (1972-1974)

Jonas Neves Rezende (1974-1983)

Mozart João de Noronha Mello (1978-1991)

Edson Fernando de Almeida (1992-hoje)

Luiz Longuini Neto (1995-1997)

Leni Maria Hoeschl de Gusmão (2000 - 2020)

Pedro Vieira Veiga (2007-2009)

Leonardo Costa da Silva de Oliveira Amorim (2007-2018)

Bruno Dias Oliveira (2018 - 2020)

Samuel de Oliveira Gomes Pereira Pádua (2018 - 2019)

Alexandre Marques Cabral (2020 – hoje)